Eleições 2016: Quem quer ser prefeito?

  • eleicoes

Autor: Monica Lobenschuss

Diferentemente das demais eleições, neste ano, quem quiser vencer essa disputa, ao que tudo indica, terá de fazer uma campanha focada em proposta. De item de luxo para essencial.

Além de um ambiente para discussão, as redes sociais fazem parte do dia a dia dos brasileiros, das empresas e, agora, dos candidatos à prefeitura e câmara dos vereadores. Isto porque a Lei nº 13.165/2015, conhecida como Reforma Eleitoral 2015, promoveu importantes alterações nas regras das eleições deste ano. Entre elas, mudanças nos prazos para as convenções partidárias, filiação, financiamento eleitoral por pessoas jurídicas e a redução do tempo de campanha eleitoral, fundamental para que os inúmeros candidatos e partidos possam se destacar e serem lembrados pelo eleitor.

De 90 para 45 dias, este será o tempo de campanha eleitoral dos candidatos. Já nas propagandas de rádio e TV, o tempo passou de 45 para 35 dias, com início em 26 de agosto, no primeiro turno. Assim, a campanha terá dois blocos no rádio e dois na televisão com dez minutos cada. Além dos blocos, os partidos terão direito a 70 minutos diários em inserções, que serão distribuídos entre os candidatos a prefeito (60%) e vereadores (40%). Em 2016, essas inserções somente poderão ser de 30 ou 60 segundos cada uma.

E o sucesso será do candidato que atender às necessidades da comunidade

Sendo assim, podemos esperar que as redes sociais serão o novo palanque político dessas eleições, assim como foi em 2014 na votação presidencial. O espaço digital será como vitrine político-partidária de cada candidato. Hoje, são 110 milhões de brasileiros com acesso à internet em qualquer ambiente, segundo a Nielsen. Só pelo smartphone, são quase 80 milhões de pessoas com acesso a internet e entre os 20 aplicativos mais utilizados, seis deles são de mídias sociais. Ou seja, esse novo comportamento interfere diretamente no cotidiano das pessoas e, consequentemente, no relacionamento entre políticos e eleitores.

Publicidade

E não irei longe para justificar este notório engajamento das pessoas nas redes sociais. No dia 13 de março de 2016 – quando milhares de pessoas foram às ruas –, com o Scup, ferramenta de monitoramento, foi possível coletar mais de 1 milhão de posts no Twitter e no Instagram sobre as manifestações contra o governo. As hashtags #ForaPT e #ForaDilma tiveram adesão de 27% dos internautas, enquanto 5% aderiram a hashtag #MarchaDasCoxinhas. No Instagram, 98% das menções foram favoráveis à manifestação, no Twitter 136k das menções citaram a Operação Lava Jato, resultando na coleta de 85% das menções nas ferramentas.

Diferentemente das demais eleições, neste ano, quem quiser vencer essa disputa, ao que tudo indica, terá de fazer uma campanha focada em propostas. E não adianta apenas o horário do programa político. Muito menos acreditar que ter site e canal em redes sociais é estar fazendo marketing político digital. Precisará de muito mais. Afinal, o eleitor mudou e a comunicação também. Será preciso repensar o jeito de se fazer campanha política na web. É necessário tirar o foco das ofensas e difamações. É preciso aprender a gerar conteúdo relevante. É vital gerar conteúdo, relacionar-se com os eleitores e inspirar ideias.

E o sucesso será do candidato que atender às necessidades da comunidade, principalmente onde ela não está sendo ouvida, e abordar questões que não estavam sendo tratadas. Apenas com o monitorando das redes sociais será possível traçar estratégias de relacionamento entre a opinião pública, eleitores e políticos. Quem o fizer primeiro, se aproximará do eleitorado e sairá na frente.